Reportagem publicada em 19/06/2008 Última atualização 20/06/2008 10:38 TU

Criado em maio de 2007 pelo presidente, Nicolas Sarkozy, o Ministério da Imigração da França apresentou várias estatísticas relacionadas às imigrações legal e ilegal no país.
Imagem: Ministério da Imigração
Dados divulgados nesta quinta-feira,19, em Paris, pelo Ministério da Imigração da França confirmam um aumento expressivo da expulsão de clandestinos do país.
O número de estrangeiros em situação irregular expulsos do território francês aumentou em 31 por cento, entre junho de 2007 e maio de 2008, segundo o ministério.
Nos cinco primeiros meses deste ano, o número de expulsões atingiu 14.660 pessoas, uma alta de 80 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
Os números foram anunciados pelo ministro francês, Brice Hortefeux, que durante a entrevista coletiva citou a recente operação policial, que desmantelou uma rede com brasileiros envolvidos em crimes - falsificação de documentos, exploração de mão-de-obra estrangeira em situação ilegal - como exemplo da luta do governo francês contra a imigração clandestina.
"Em um só apartamento viviam 21 brasileiros e cada um pagava 200 euros pelo alojamento", afirmou o ministro diante de jornalistas, autoridades policiais e judiciais e representantes diplomáticos de vários países da Europa e África.
O ministro, que fez um balanço dos resultados obtidos pelo Ministério da Imigração, Integração, Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário, criado há um ano e um mês pelo presidente, Nicolas Sarkozy, confirmou que objetivo do governo francês é expulsar 26 mil clandestinos em 2008.
Segundo o ministro Hortefeux, 38 por cento já teriam saído voluntariamente do país este ano.
Nova lei
A divulgação dos resultados atingidos pelo Ministério da Imigração é feita um dia depois da aprovação, pelo parlamento europeu, da polêmica Diretiva do retorno, um conjunto de medidas adotadas pelos 27 países do bloco europeu para combater a imigração illegal.

Durante a entrevista coletiva, o ministro francês da Imigração, Brice Hortefeux, comentou que imigrantes clandestinos brasileiros pagaram até 200 euros por um documento português falso, para conseguirem trabalho na França.
Foto: Elcio Ramalho / RFI
O conjunto de regras - que deve entrar em vigor em 2010 - prevê uma harmonização das políticas de repatriação e facilitará o controle e expulsão de imigrantes em situação irregular no bloco europeu, onde as fronteiras entre um país e outro são atravessadas sem grandes dificuldades.
A lei prevê um período de detenção de clandestinos durante 6 meses, mas prorrogáveis até 18, antes da expulsão. Além disso, as pessoas que forem expulsas ficarão proibidas de retornar a qualquer país do bloco europeu durante 5 anos. Menores de idade, desacompanhados, também poderão ser expulsos.
As novas regras foram aprovadas apesar da oposição da maioria dos partidos de centro e de esquerda. A vitória só foi obtida graças ao conservador Partido Popular Europeu, que tem maioria no parlamento.
Quarenta e quatro governos da América Latina, inclusive o Brasil, e vários países africanos condenaram a nova lei européia que fixa regras para a expulsão de clandestinos.
O protesto foi feito através de uma carta enviada à Comissão Européia e ao chefe da diplomacia do bloco, Javier Solana.
Oito milhões de clandestinos vivem na União Européia e devem ser atingidos por esta lei, que ganhou o apelido de diretiva da vergonha e é considerada desumana pela ong Anistia Internacional, pelo Conselho da Europa e pelos defensores dos direitos humanos.
ÁUDIO
Jornalista da RFI
"A Agência de notícias France Presse (AFP), divulgou que a estimativa de algumas ongs é de que 200 mil brasileiros estejam vivendo como clandestinos em vários países europeus, principalmente em Portugal, Espanha e Itália".
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