Reportagem publicada em 29/10/2008 Última atualização 29/10/2008 19:56 TU

A prostituição não é proibida na Espanha. O crime é a exploração das prostitutas.
Foto: Mariposas.org
As investigações da polícia espanhola começaram em maio último, quando duas mulheres vítimas da rede de prostituição fugiram da vigilância dos patrões e pediram ajuda ao consulado do Brasil. Elas relataram como o esquema funcionava. As vítimas eram recrutadas no Brasil, por uma mulher que as enganava com propostas de emprego de garçonete de hotel na Espanha e as embarcava com passagem paga e 2.500 euros (7.500 reais) no bolso para evitar problemas na fronteira.
Ao chegar na Espanha, as vítimas eram levadas para clubes de prostituição, onde ficavam reclusas. Seus passaportes eram confiscados pelo chefe da rede e lhes era exigido o reembolso da dívida inicial. Para ter um dia livre, as brasileiras tinham que pagar 300 euros (900 reais) aos donos das casas de prostituição.
Nesta quarta-feira, a polícia espanhola divulgou um comunicado anunciando que 25 pessoas foram detidas por envolvimento no caso. Na cidade de Gerona, na Catalunha, 14 pessoas foram presas. Elas vão responder por crimes contra os direitos dos estrangeiros, por detenção ilegal, por exploração da prostituição, por ameaças e por posse ilegal de armas. No Brasil, a polícia prendeu, em Natal, no Rio Grande do Norte, a mulher que aliciava as vítimas.
Dados de 2008, da polícia civil espanhola, indicam que das 300 mil prostitutas que trabalham na Espanha 90% são estrangeiras, a maioria sem documentos. Nesse total, o número de brasileiras é particularmente alto. No início deste ano, esse tráfico de brasileiras chegou a causar um incidente diplomático entre o Brasil e a Espanha.
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Correspondente da RFI, na Espanha
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